19 de Agosto de 2008

MOTIVO DE ORGULHO



Este rapaz aí da foto eu o vi pela primeira vez em meados da década de 80. Ele não devia ter mais do que dez ou doze anos. Antes, o tinha conhecido através de uma foto, quando ele conseguiu a vitória num concurso de redação da escola onde estudava e o jornal publicou aquele que seria um dos primeiros feitos ao qual (confirmou-se com o passar dos anos) seguir-se-iam vários outros. A partir daí, vi-o crescer, não só fisicamente mas também intelectualmente. Corrêa Neves Júnior é uma prova viva de quem sai aos seus não degenera: filho do saudoso jornalista Corrêa Neves (uma das grandes figuras do jornalismo nacional e desta região Nordeste do Estado de São Paulo, cuja importância um dia não só Franca mas também o resto do País vai saber reconhecer) e de Sônia Machiavelli (professora, jornalista, escritora e uma das grandes intelectuais deste País, também ainda imerecidamente sem ter a sua capacidade reconhecida), hoje dirige com extrema competência o Grupo Corrêa Neves de Comunicação (no qual tenho o orgulho de ter trabalhado nos últimos 28 anos), realizando uma das mais extraordinárias realizações da Imprensa brasileira, a integração das redações do jornal Comércio da Franca e da rádio Difusora, que hoje compõem o grupo. Júnior transformou o Comércio num dos mais importantes jornais do País e a Difusora em líder de audiência. Pois então: este rapaz (ao qual sempre olhei, orgulhoso, com olhos de irmão mais velho) fez bonito ontem em São Paulo. Participou do Congresso da ANJ em São Paulo, como palestrante e debatedor, deixando admirados grandes especialistas em comunicação por conta da integração rádio-jornal, implantada e desenvolvida com sucesso por aqui. Por isso, não poderia deixar de saudar o feito, que mostra que o Júnior (como todos os que o conhecem o chamam) é realmente capaz, empreendedor e, antes de tudo, apaixonado pelo que faz. O Comércio é seu grande projeto de vida e, sob o seu comando, vai continuar colhendo os frutos de seu trabalho apaixonado. Peço licença ao Gabriel Ciciliani, repórter do Comércio, para publicar a reportagem que a edição deste 20/08/2008 do jornal traz.

‘Comércio’ é destaque no 7º Congresso de Jornais

Gabriel Ciciliani
Free lance para o Comércio

Para uma platéia de jornalistas e empresários ligados à comunicação que lotou o salão de convenções do WTC Hotel, em São Paulo, a experiência inovadora de unir as redações de rádio e jornal, colocada à prova pelo Grupo Corrêa Neves de Comunicação há mais de um ano, fez sucesso. A rotina da integração entre profissionais da rádio Difusora e do Jornal Comércio da Franca foi apresentada, na manhã de ontem, pelo jornalista Corrêa Neves Júnior, diretor-executivo do grupo, no 7º Congresso Brasileiro de Jornais.
Por mais de uma hora, o dia-a-dia dos profissionais que atuam nas duas empresas e a maneira com que interagem na produção de material noticioso para a rádio e o jornal, além de sites e revistas, foram amplamente abordados por Corrêa Neves Júnior durante sua palestra cujo tema era “A cultura multimídia: desafios e oportunidades para os jornais”.
O interesse despertado pelo assunto foi tanto que a explanação que, a princípio, estava prevista para durar uma hora, se estendeu por mais 40 minutos.
Entre os interessados, estavam Marcelo Hesch, diretor do Grupo RBS, um dos maiores grupos de comunicação do Brasil e que tem sob o seu comando mais de 850 jornalistas, além do norte-americano Randy Covington, diretor do IFRA, uma entidade internacional de investigação e serviços para a indústria jornalística e consultor de vários jornais, como o britânico Daily Telegraph. “Receber elogios de profissionais deste gabarito é a mesma coisa de um jogador de futebol ser elogiado por Pelé ou Garrincha. Isso mostra que o trabalho feito no Grupo é sério e respeitado”, disse Corrêa Júnior.
Além da rotina das redações integradas, o inédito modelo de remuneração e avaliação de desempenho dos funcionários do grupo, implementado no ano passado, também foi tema de discussão. “Ao ver as fotos e as imagens da nossa redação integrada e de todas as nossas instalações, a platéia vibrou. Realmente foi um sucesso”, completou
Acompanhando Corrêa Neves no Congresso, a editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal, sintetizou a apresentação. “A palestra foi perfeita. Em um curto espaço de tempo, Júnior conseguiu demonstrar todo o projeto de integração e cativou a platéia. Ficamos muito orgulhosos porque sabemos que estamos fazendo um excelente trabalho em Franca”, disse.

Modelo de integração será levado ao exterior
O norte-americano Randy Covington, principal palestrante do 7º Congresso Brasileiro de Jornais, se mostrou impressionado com o modelo de integração utilizado pelo Grupo Corrêa Neves de Comunicação. Covington, que também trabalha como consultor do Daily Telegraph, um dos maiores jornais britânicos, prometeu ao jornalista Corrêa Neves Júnior fazer uma visita às instalações do Comércio e Difusora e solicitou cópias do material utilizado em sua palestra. “Ele ficou maravilhado com o trabalho que é feito em Franca e prometeu levar isso para os Estados Unidos, onde dá aulas na Carolina do Sul. Como ele também é consultor do Daily Telegraph, que investe muito dinheiro para promover esta integração entre seus jornalistas, nosso modelo também poderá ser utilizado neste jornal”, disse Joelma Ospedal.
No encerramento do evento, Covington voltou a citar o Comércio. “Ele afirmou que em 2020, todos precisarão de coragem para fazer o que já é feito atualmente por nós”, finalizou a editora-chefe.

Uma observação: há exatamente três anos, no dia 19 de agosto, todos nós perdíamos aquele que foi o grande entusiasta que iniciou o desenho do que o Comércio é hoje: o saudoso jornalista Corrêa Neves que, com certeza, deve estar vendo tudo isso com a alegria de um pai orgulhoso.

13 de Agosto de 2008

OLIMPÍADA

Pois é! Não tem como não comentar. Mas ver os nossos narradores na TV vibrando com três míseras medalhas de bronze (até a Índia já tem medalha de ouro) é uma tristeza. Ultimamente, todos eles, sem exceção, estão vibrando até com a derrota. Teve gente que encheu o peito e ficou esperando uma avalanche de ouro depois do Pan-Americano no Brasil. Mas a coisa não é assim. Comparado aos Jogos Olímpicos, o Pan acabou sendo um campeonato varzeano diante do Campeonato Brasileiro de Futebol. Quase como uma edição dos Jogos Abertos diante das Olimpíadas. O Brasil ganhou ouros, pratas e bronzes à mancheia porque os Estados Unidos enviaram apenas atletas de segundo escalão. Taí Michael Phelps que não me deixa mentir. A cada entrada do fenômeno (este sim, merece o apelido) na piscina, o recorde já caía. E o ouro era definitivamente dele. O que esperar do Brasil: medalhas de ouro possíveis apenas em esportes coletivos como o vôlei feminino e masculino e o futebol feminino e masculino (mesmo que o Dunga esteja lá atrapalhando). Além do vôlei de praia. No mais, uma surpresa aqui e ali, como o ginasta Diego Hipólito na ginástica olímpica masculina e suas colegas da equipe feminina (quem sabe Daiane dos Santos, Jade Barbosa ou a ribeirãopretana Laís Souza não desencantem?) Aliás, como tem menina feia nesta modalidade! Até que tinha umas americanas bonitinhas, mas as outras? São Jorge faria a festa! Será que o primeiro quesito é ser feia? No judô feminino, também! Não consegue ser modelo? Vai fazer ginástica olímpica ou judô, né? Pois é isso: se o Brasil conseguir meia dúzia de medalhas de ouro será muito. Acho que no total não chega a quinze medalhas (entre ouro, prata e bronze). Espero que eu esteja errado. E os atletas brasileiros me façam morder a língua.

23 de Março de 2008

E O QUICO?

Domingão de Páscoa, eu em casa ouvindo Chico Buarque (ô gordim de bão gosto, sô?) e pensando na vida. Pensando e escrevendo tudo o que me passa pela cabeça. Lembro-me de Páscoas de outras épocas, onde os ovos de chocolate não passavam de sonho distante e inalcançável. Não consigo me lembrar do meu primeiro ovo de chocolate. Mas isso não tem importância. O que tem importância, sim, é a mercantilização de todas as datas religiosas. Nem o Dia da Padroeira do Brasil foge disso, com um verdadeiro mercado persa tomando conta de Aparecida e do entorno de todas as Igrejas dedicadas a Nossa Senhora no dia 12 de outubro. Acho que falta mais, na Páscoa, no Natal, no dia das(os) dezenas de padroeiras(os) por este Brasil: a solidariedade para com os que nem podem sonhar com um ovo de Páscoa ou um peru de Natal. Compaixão para os que nem conseguem imaginar uma mesa farta e sorridente. Coração aberto para os que nem devem saber o que é ter a barriga cheia. O leitor deve estar perguntando: e o Quico? Se pergunta isso tem mais é que procurar no Chaves porque não tem mais alma para amar, se doar e viver solidariamente. O que é muito triste...

26 de Novembro de 2007

ARMADILHAS DA LÍNGUA

Você sabe o que é tautologia?
(Contribuição de José Truda Júnior)

É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.

O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

Note que todas essas repetições são dispensáveis.
Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não.

Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.
Verifique se não está caindo nesta armadilha.

Gostou?
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14 de Outubro de 2007

SOBRE REMÉDIOS E INJEÇÕES

Pois é! Como toda criança, eu também fui um escandaloso quando se tratava de remédios. Principalmente injeções. Lembro-me da dona Djanira e do sêo Ildebrando, além do sêo Custódio (acho que era esse o nome), na maior paciência e boa vontade, tentando-me acalmar para aplicarem uma injeção qualquer. Normalmente, para gripe ou infecção na garganta (destas, eu tinha pelo menos duas por ano na minha infância na Usina Junqueira). Lembro-me do suplício de ir ao ambulatório, localizado em frente ao Parque Infantil, entre a farmácia e o correio (que mais tarde virou banca de revistas). Eu não me contentava em chorar e gritar: fazia um escândalo que mais parecia vítima de uma violência atroz. Mamãe estava sempre comigo e dizia que eu a envergonhava com aquela atitude. Isso acabou aos seis anos, de uma maneira abrupta. Mais uma vez, minha mãe levou-me para tomar uma injeção e, em que pesem os esforços de dona Djanira, eu fiz um escândalo mortal. Teve gente que chegou correndo pra ver o que estava acontecendo. A coisa foi tanta, que no final eu nem quis sair pela frente do ambulatório. Saí pela porta dos fundos e no pequeno trajeto dali até minha casa (uns três quarteirões), mamãe mais uma vez falou da vergonha e conseguiu arrancar o maior dos segredos: não doía nada. Nem tinha sentido a picada. E ela tomou a decisão: a partir daquele dia, eu iria sozinho tomar qualquer injeção que seja. E aí acabou o escândalo. E foi tanto o destemor das agulhas que, alguns anos mais tarde (eu tinha uns nove e minha irmã tinha uns onze ou doze), eu fiz uma grande besteira. Mamãe havia viajado para Franca e ficamos eu, minha irmã, meu pai e Gérson, meu outro irmão, em casa. Luci foi acometida de forte virose e precisou tomar uma série de injeções. Nós éramos muito ligados e eu estava com pela dela, que tomava duas injeções por dia. Para encurtar o sofrimento da minha irmã, decidi: ela tomaria a penúltima série e no mesmo dia eu tomaria as outras duas, para encurtar o tratamento. Tomei as injeções e passei muito mal, mas escondi de todo mundo que aquilo estava acontecendo. Sofri calado e percebi que poderia ter acontecido alguma coisa mais grave. E esta foi a grande lição: não se brinca com remédios. E, até hoje, não tomo comprimido nenhum sem ler atentamente a bula e saber para o que serve. Ainda hoje lembro-me do mal que passei, tive febre, muita dor no corpo e acabei prostrado. Quando minha mãe voltou, já estava um pouco melhor e a coitada nem percebeu. Pois hoje, dou toda a razão para quem diz que com saúde não se brinca. Eu brinquei e só não houve conseqüências mais graves porque Deus, como sempre, foi bom comigo.

28 de Agosto de 2007

ESQUISITICES E ESQUISITOS

Tava eu fumando um cigarro, sentado num banco do calçadão da Marechal Deodoro, aqui em Franca, esperando minha esposa sair da livraria, quando uma senhora idosa, com as bochechas vermelhas de ruge, parou na minha frente e soltou um "Ô coitado!" Diante do meu espanto, ela continuou: "é doença?". Tive que perguntar: "O quê?". "Esse barrigão", prosseguiu. E eu, naturalmente, respondi: "obesidade...". Aí ela quis saber se eu comia muito mas logo cortei o barato, nem dei muitas chances pra ela continuar. Afinal, o povão que passava ali, no meio da tarde, já estava se divertindo com a cena. Tudo isso para explicar: obesidade é doença que traz consigo uma série de outras moléstias que pode levar à morte. Mas espero que isso acabe logo. Se tudo o que estou imaginando der certo, no final do ano terei uma boa notícia. Pois bem: tudo isso só pra dizer: sou pára-raios de malucos e esquisitos. Se estou no meio de gente e aparece uma pessoa não muito certa da idéia, pode ter certeza de que ela vem falar comigo, quase sempre fazendo-me pagar um "king kong" no meio do povão. Neste mesmo dia, tava eu indo comprar uma água (mineral, com gás) numa cafeteria do mesmo calçadão, quando passei diante de uma sorveteria. O estabelecimento comemorava seu aniversário e havia colocado um locutor ali, para "animar" o povão a tomar sorvetes. Para meu espanto, quem assumiu um microfone era um locutor que trabalhou em emissoras da cidade, que eu conheço mas não via há mais de uma década. Não é que ele me viu e já berrou? "Vem aí o Sidão, que trabalha no 'Comércio da Franca', jornalista, há vários anos na cidade... Cada vez mais gordo, heim Sidão?". Eu até iria comprar a água na sorveteria, mas aí nem chance né? Pessoas dos mais diferentes tipos param-me na rua para apresentar uma dieta milagrosa, um remedinho capaz de resolver meus problemas de saúde ou mesmo pra perguntar meu peso. E eu ali, perdido em razão da minha introversão... Sem ter como me livrar. Pode uma coisa dessa?

17 de Março de 2007

CAMPANHA SÓRDIDA

Eu já disse e volto a repetir: uma campanha surda, sórdida e covarde vem sendo feita contra uma das classes mais inofensivas da atualidade. Os gordos, os obesos, os ‘fofinhos’, como todos gostam de nominar, são os mais discriminados elementos de nossa sociedade e não há quem se levante para defendê-los. Vamos aos fatos: já viu um gordo entrando num dos chamados carros populares? Nem digo como motorista, mas sim como passageiro. A cada dia que passa, os carros estão ficando cada vez menores, mais baixos e mais desconfortáveus. Quem diz que o gordo não faz ginástica nunca viu um sair de um carro destes. É pior do que uma academia. Pra andar de carro, só se for de kombi, van ou caminhão! Nos ônibus, a coisa é feia: a roleta foi feita para anoréxicos e o pobre gordo é obrigado a ficar na parte da frente, onde todos os que passam escondem um sorrisinho irônico que grita no canto da boca. E os banquinhos: só dois comportam indivíduos com uma imagem alternativa e, na maioria das vezes, estão ocupados. Os outros, feitos para uma criança, ainda têm um bracinho fixo do lado que impede que o obeso se sente. O que fazer: sacolejar pra lá e pra cá, segurando-se como pode para não cair, observando mais sorrisinhos irônicos no canto das bocas. E ninguém pra perceber aquele sofrimento e ceder o banco. Os gordos que se danem, não é mesmo? Nos bares, lanchonetes e restaurantes, as cadeiras de plástico (das quais já falei aqui) abundam (e como abundam!). Fora aqueles banquinhos redondos, altíssimos, que são uma tortura para quem tem dezenas de quilos a mais. Nem falo nos banheiros, que dificilmente permitem uma “manobra”: o gordo tem que entrar de ré senão não consegue se virar lá dentro. Até para descer as calças, tem que ser um malabarista nestes banheiros cada vez mais estreitos. A ditadura da magreza vem ganhando adeptos e os gordos, dia-a-dia, estão sofrendo com esta campanha covarde. Dentro de pouco tempo, se esta campanha for vitoriosa, o gordo estará perdido. Só que terá a sua desforra: com certeza, o mundo ficará cada vez mais triste.